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Presidente uruguaio, José Mujica (esq.), participa de ato do PT com Dilma e Lula (Foto: Pedro Ângelo / G1)
O ex-presidente da República e presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, disse nesta sexta-feira (6) estar indignado com o fato de a Polícia Federal ter ido à casa do tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, para buscá-lo para prestar depoimento. Lula discursou em evento em Belo Horizonte em comemoração aos 35 anos da sigla.
Nesta quinta-feira, Vaccari foi conduzido coercitivamente (quando a pessoa é levada para prestar depoimento e depois é liberada) à superintendência da Polícia Federal em São Paulo, após denúncia de que operou propina em esquema de desvio de dinheiro de contratos fechados pela Petrobras. A informação foi dada em depoimento de delação premiada do ex-gerente de Serviços da Petrobras, Pedro Barusco.
“Eu fiquei ontem fiquei indignado. Tem dia que a gente fica mais indignado que outros dias, e ontem eu tomei muito cuidado para não tentar repassar aqui nessa festa de 35 anos a indignação que fiquei ontem, porque seria muito mais simples a PF ter convidado o nosso tesoureiro para se apresentar do que ir buscá-lo em casa”, disse Lula.
Mais cedo, em reunião da cúpula do PT, Lula defendeu o tesoureiro, que é investigado pela Operação Lava Jato. Ele também incitou os dirigentes do partido a reagirem a eventuais “ataques” contra a sigla gerados pelos desdobramentos da apuração de denúncias de corrupção na Petrobras.
Durante discurso no evento do partido à noite, Lula disse haver uma “criminalização do PT” pela mídia brasileira. “Eles trabalham com a convicção de que é preciso criminalizar o nosso partido, não importa que seja verdade”, declarou.
Sem citar nomes, ele também fez críticas a quem defende a adoção de uma “nova política”, segundo ele, como se “inventasse a roda”. O ex-presidente citou números das gestões petistas e disse a nova política foi praticada pelo PT ao “acabar com a fome” e “aumentar a renda da população”.
Medidas impopulares de Dilma
No discurso, Lula comparou as medidas tomadas recentemente por Dilma na economia, como o aumento de impostos e da rigidez no sistema previdenciário, ao tratamento que ele fez para combater um câncer na garganta, ressaltando serem necessárias para garantir um “futuro melhor”.
“Não tem nada pior na minha vida do que fazer a quimioterapia que fiz e depois as sessões de radioterapia na minha garganta. E eu tomava, era disciplinado. E fazia porque era necessário para eu estar hoje aqui bonitão falando pra vocês hoje”, disse. “Tenho certeza que o que você vai entregar para a gente no futuro é muito melhor”, afirmou, dirigindo-se a Dilma.
“Faça o que tiver que fazer, porque um erro desastroso nosso quem vai sofrer é o povo humilde que nem está aqui”, completou o ex-presidente. (G1)

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