Os membros do PT não são simples corruptos, do tipo que busca a vida política para enriquecimento próprio.
Após a morte do Celso Daniel, Gilberto Carvalho procurou a família do
Celso para tranquilizá-los diante das notícias de corrupção e, como
primeiro homem de confiança, para explicar que nem o Celso nem ele
haviam desviado um centavo para o bolso. Levava o dinheiro em um
fusquinha para o José Dirceu, para ajudar o partido na campanha. Certa
vez, chegou a levar de uma vez só 1,2 milhão.
Para o Ministério Público, o esquema começou a implodir quando Celso
Daniel descobriu que a propina não vinha irrigando os cofres do PT, como
o prefeito desejava, mas morria nas mãos de Sombra, Klinger e Ronan. Ele foi eliminado porque se opôs ao desvio do desvio.
Ao assumir a presidência, Lula nomeou
Carvalho para o posto estratégico de chefe de gabinete do presidente.
Se o PT está ainda hoje no poder, e atingiu, pelo menos, algumas de
suas metas foi devido a dedicação e a existência desse perfil de
político dentro do partido, comportamento que era premiado pelo partido, para separar o joio do "trigo". O PT dominou a política do país porque o seu
radicalismo funcionava como o substitutivo de uma força moral.
Fontes: O chefe, de Ivo Patarra
Assassinato de reputações, Romeu Tuma Jr.
